Queijo colonial: caxienses participam da missão técnica à Itália
Comitiva de produtores e técnicos foram em busca de informações para agregar mais valor aos produtos por meio de certificações especiais
Foto: Divulgação A recente visita técnica à Itália de produtores de queijo e pesquisadores teve a participação de duas empresárias caxienses: Cátia Pasquali (da Monterra Queijos Artesanais) e Marta Bolson Camêlo (da Queijaria Bolson & Camêlo). Juntamente com a cadeia produtiva do queijo colonial, elas atuam para obter a Denominação de Origem (DO) do produto e a Indicação Geográfica (IG), apoiadas pelo Sebrae e pela Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), juntamente com a Emater.
Cátia e Marta integraram o grupo que esteve na Itália neste mês de maio, quando a missão internacional organizada pelo Sebrae levou cerca de vinte produtores e técnicos às regiões das cidades italianas de Parma, Bergamo e Trento, entre outras. A escolha pela Itália se deu em função do país ser referência na valorização de produtos por meio de Indicações Geográficas.
A Indicação Geográfica (IG) é um direito de propriedade intelectual que reconhece a origem de um produto ou serviço associado a uma região específica. “Esse selo atesta a qualidade, a tradição e a reputação exclusiva vinculadas ao local da produção, protegendo a forma de saber-fazer e valorizando os produtores rurais”, explica o diretor de Fomento Agropecuário da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecmento (SMAPA), Fernando Vissirini Lahm dos Reis.
“A IG do queijo Colonial para a nossa agroindústria iria representar a história de nossos antepassados e agregar muito mais valor ao nosso produto”, observa a empreendedora Marta Bolson Camêlo. A idéia da agroindústria surgiu em 2004, quando ela retornou para o campo depois de se formar professora. ”Minha mãe Josefina sempre fez queijo de maneira informal, vendia os produtos para pagar o estudo das quatro filhas. Aprendi com ela a fazer desde pequena. “Percebi que formalizar a queijaria seria um bom negócio”, lembra.
Na época, a família procurou a SMAPA. “Recebemos orientação do médico veterinário Fernando Vissirini Lahm dos Reis e implantamos a queijaria. Ao longo dos anos ampliamos o negócio e, apesar das dificuldades, não desistimos. O apoio técnico da Secretaria foi importante, bem como da Emater” destaca. “Nossos filhos foram crescendo e nos ajudando. Agora, quando surgiu a oportunidade dessa missão técnica, abraçamos com muito entusiasmo. O resultado da experiência foi incrível: visitei a região de onde vieram nossos antepassados. A arte de fazer queijo veio junto, tenho certeza. Minha mãe fazia, eu aprendi e hoje é minha filha Isadora quem faz e comanda a queijaria. Ver nossos filhos Pedro, Isadora e Artur permanecerem no campo é um orgulho para mim e para o meu esposo Marcelo”, completa.
Para Cátia Pasquali, da Monterra, a missão também foi extremamente válida. “Muitas coisas me chamaram a atenção, principalmente a valorização que os europeus dão ao território, aos produtos de um território específico. Eles identificam estes produtos, não só o queijo mas também mel, azeite, vinhos, etc. E mais: a culinária, os restaurantes e a rede hoteleira valorizam muito esta questão. Os produtos locais estão nos cardápios, identificados e valorizados. Eles têm muito orgulho e conservam a história”, diz.
Ela também achou muito interessante que os queijos de regiões visitadas provêm de animais alimentados a pasto com com feno em localidades de altitude, semelhantes à Serra Gaúcha. “Fomos buscar entender a história do queijo Asiago, no norte da Itália. Acreditamos que nossos antepassados imigrantes, oriundos desta região, se inspiraram neste produto para produzir nosso queijo colonial, pois há muitas semelhanças na massa, textura e sabor”, afirma.




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