Samae vai elaborar primeiro inventário de emissões de gases de efeito estufa de Caxias do Sul
Município participa de projeto piloto coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima
Foto: Márcio Serafini/divulgação O Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) dá mais um passo importante na área ambiental ao aderir ao Projeto Cidades Brasileiras pelo Clima. A iniciativa prevê a elaboração do primeiro inventário completo de emissões de gases de efeito estufa (GEE) em Caxias do Sul.
A assinatura da adesão ao projeto ocorreu nesta quinta-feira (26/3), na Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas). O município foi selecionado para participar da fase de calibração da plataforma nacional que irá medir as emissões em cidades brasileiras e, a partir daí, criar planos de ação para mitigar o problema. Hoje, Caxias do Sul emite cerca de 14 toneladas de Gás Carbônico por ano.
O projeto é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, em parceria com a Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente (ANAMMA) e a startup brasileira de tecnologia Deep ESG. Nesta etapa, Caxias do Sul passa a integrar um grupo pioneiro que ajudará a validar o modelo que será aplicado em todo o país.
Com a criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), instituído pela Lei nº 15.042/2024, a medição e o reporte de emissões deixam de ser apenas uma iniciativa voluntária e passam a ser uma exigência para organizações públicas e privadas.
“O inventário servirá como base para a elaboração do Plano Municipal de Ação Climática, um compromisso que foi assumido pela Semmas e que terá a colaboração de toda a Comissão Municipal de Mudanças Climáticas”, explica o secretário municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade em exercício, Ramon Sirtoli.
Para o Samae, o investimento é estratégico. O inventário permitirá identificar as principais fontes de emissão de gases no setor de saneamento, contribuindo para melhorar a eficiência energética, reduzir custos operacionais e garantir o cumprimento da legislação ambiental.
Além de identificar em diferentes categorias as emissões relacionadas às atividades de competência do Samae, este inventário ajudará o setor privado de a ser mais competitivo e possibilita que as emissões possam ser compensadas em projetos na nossa cidade. “Um dos principais objetivos é colocar Caxias do Sul no mesmo patamar de referência econômica e de qualidade de vida das grandes cidades brasileiras, e para isso os gestores precisam estar alinhados a uma visão estratégica de longo prazo, comprometidos com a inovação, a sustentabilidade e a eficiência na gestão pública, nunca esquecendo das parcerias estratégicas com o setor privado”, ressalta o diretor-presidente do Samae, João Uez.
Contexto climático
A iniciativa ocorre em um cenário de crescente preocupação com eventos extremos. Em 2023, o Brasil registrou mais de mil hidrológicos e geológicos qie afetaram mais de 500 mil pessoas. Já em 2024, enchentes e outros eventos climáticos voltaram a atingir milhões de brasileiros, especialmente na região Sul. Diante desse cenário, ações como o inventário de emissões são fundamentais para planejar medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, tornando as cidades mais resilientes.
Sobre o inventário
O levantamento seguirá a metodologia internacional GHG Protocol, que divide as emissões em três categorias:
· Escopo 1: emissões diretas, como uso de combustíveis em veículos e equipamentos;
· Escopo 2: emissões indiretas relacionadas ao consumo de energia;
· Escopo 3: emissões indiretas da cadeia de valor, como transporte, resíduos e deslocamentos.
Esse diagnóstico também contribui para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente aqueles relacionados à água, energia, cidades sustentáveis e ação climática.





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